DO SENTIDO DADO AOS PASSOS, AOS PASSOS QUE NOS CONSENTIMOS DAR... JAMAIS OS MESMOS DEPOIS DE TRILHAR O DESERTO BRANCO

28
Fev 07
Laos, Dezembro 2003


É ao abrigo umas das outras que as pessoas vivem.
Provérbio irlandês


Tibet, Outubro 2004
publicado por fpg às 22:04

Antes quebrar que torcer.

publicado por fpg às 17:43

26
Fev 07
Laos, Dezembro 2003

Sabedoria significa ter a noção da falibilidade de todos os nossos pontos de vista e opiniões, e contar mais com a incerteza e a instabilidade das coisas.
Gerald Brown

publicado por fpg às 11:29

Everest, Tibet, Outubro 2004
publicado por fpg às 11:27

Os cães ladram, a caravana passa.
publicado por fpg às 11:21

22
Fev 07

publicado por fpg às 12:51

Uma voz que ouço desde os 10 anos: a de Mireille Mathieu.

publicado por fpg às 12:36

Luang Prabang, Laos, Dezembro 2003

Não é que eles não possam ver a solução. É que eles não conseguem ver o problema.
Gilbert Chesterton

O seu, a seu dono.

publicado por fpg às 11:55

20
Fev 07
Dali, Março 2006

 
publicado por fpg às 15:45

Laos, Dezembro 2003
 

A felicidade é muito mais rara por culpa dos homens, do que por culpa das coisas.
Paolo Mantegazza


O ataque é sempre a melhor defesa.
publicado por fpg às 15:44

Foi o que um australiano fez para entrar no Guiness Book of Records...
Partiu cerca de 50 melancias em 50 segundos.
Melancias para quê?!
publicado por fpg às 15:42

18
Fev 07
Laos, Dezembro 2003
 
Se a chama que está dentro de ti se apagar, as almas que estão ao teu lado morrerão de frio.
François Mauriac

Guida B.
publicado por fpg às 12:40

Ano novo, Vida nova.

publicado por fpg às 12:40

17
Fev 07

Em fim-de-semana de passagem de ano, na China, e de Carnaval, em muitos países aqui fica a fantástica voz de Simone.

publicado por fpg às 22:41

Até nesta calma Estrada da Aldeia está a sentir-se o rebuliço da chegada do Porco...
Que venha anafadinho, saudável e bem disposto.
E que os panchões párem depressa para que o silêncio da Natureza se instale, quebrado apenas pelos chilreios dos meus vizinhos pássaros.
publicado por fpg às 22:12

Paulo L.
publicado por fpg às 22:10

Laos, Dezembro 2003
publicado por fpg às 22:05

Laos, Dezembro 2003

O homem de bem espera tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros.
publicado por fpg às 22:01

Parar é morrer.

publicado por fpg às 22:00

16
Fev 07
Cá em Macau, para além de muita "apadrinhagem" existem crianças "autísticas".
publicado por fpg às 17:29

Graças à chegada do Porco vamos ter 5 dias de férias!
Apesar do Cão estar de partida, vou ter os meus dias cheios deles.
Em casa e na Anima.
publicado por fpg às 17:26

Angkor Wat, Cambodja, Agosto 1999
A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido.
Fernando Pessoa

Depois da tempestade vem a bonança.

publicado por fpg às 17:18

Tibet, Outubro 2004
publicado por fpg às 17:09

É o que dá ouvir música pela manhã a caminho do trabalho...
Há sempre uma que nos fica no ouvido e depois andamos a trauteá-la o dia todo!
A recordação de Glória Gaynor.

publicado por fpg às 16:19

15
Fev 07

Aqui ficam as imagens...
Ao vivo e a cores, a prova de que as bestas são normalmente os Homens...

publicado por fpg às 17:01

Já sei como colocar vídeos no blog...

publicado por fpg às 16:50

publicado por fpg às 16:47

Dali, Março 2006

publicado por fpg às 16:01

Tibet, Outubro 2004


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
publicado por fpg às 15:55

Quem semeia ventos, colhe tempestades.

publicado por fpg às 15:51

14
Fev 07
Tibet, Outubro 2004

 
publicado por fpg às 13:03

Coloane, 2006



O mundo não é lugar para cobardes. Todos devemos estar prontos para, de algum modo, penar, sofrer, morrer. E o teu lugar não é menos importante só porque nenhum tambor bate por ti quando sais para os teus campos de batalha quotidianos, nem nenhuma multidão te aclama quando voltas das tuas vitórias ou derrotas quotidianas.
Robert Louis Stevenson


Pelo vôo se conhece a ave.

publicado por fpg às 13:02

Norberto Bobbio, laico e liberal progressista, considera que “o direito do nascituro pode ser respeitado somente deixando-o nascer”, e afirmou: “surpreendo-me que os laicos deixem aos crentes a honra de afirmar que não se deve matar”.
publicado por fpg às 12:55

Toninha
publicado por fpg às 09:28

13
Fev 07
Há bocado, no Jornal da Tarde da RTP, uma pessoa fez votos para que os serviços municipais de certa cidade nortenha "deiam" tolerância de ponto aos adeptos de futebol, para que possam assitir a um jogo que se realizará à tarde. Seja feita a sua vontade!
publicado por fpg às 22:29

António A. S.
publicado por fpg às 22:08


Ontem, ao invés do que acontece quase quotidianamente em que as notícias nos atiram para dentro de casa frustrantes catadupadas de desgraças, no Jornal da Noite da TDM ficámos a saber algo muito curioso:
Em Liqian, uma remota aldeia no noroeste chinês junto ao imenso deserto de Gobi, os habitantes vão poder, dentro em pouco, ficar esclarecidos sobre o estranho fenómeno que tanto espanto lhes tem causado quando nascem crianças louras, de olhos verdes e narizes grandes entre os seus residentes, uma vez que a cidade mais próxima fica a cerca de 320 quilómetros...
Porque a maior parte das pessoas é pobre, não possui templo de família e não tem possibilidade de saber quais são os seus antepassados.
Ao que parece, poderão ser descentes de legionários romanos, que em 53 a.C. integrariam a legião de Marcus Crassus misteriosamente desaparecida.
Derrotados pelos Pártias, tribo originária da zona onde se situa o Irão, cerca de 145 centuriões terão ficado prisioneiros e andado pela região, como mercenários, durante vários anos até serem capturados por chineses Hun 17 anos depois.
Esta é a teoria de Homer Hubs, professor de história da China na Universidade de Oxford.
Se os testes de ADN efectuados em 93 pessoas confirmarem estes factos, Gu Jianming que mora perto da aldeia poderá ficar descansado quanto ao facto de há 6 anos lhe ter nascido uma filha loura a quem, incrédulo, rapou insistentemente o cabelo na esperança de que mudasse de cor.
E como a menina "cabelo amarelo" existem muitos outros habitantes com estranhas fisionomias.
Dentro em breve, o mistério vai ser desvendado!

publicado por fpg às 16:44

Tibet, Outubro 2004

 
publicado por fpg às 15:28

Laos, Dezembro 2003

Os homens que não deixam atrás de si quaisquer grandes obras, mas uma série de pequenos actos de bondade, não desbarataram as suas vidas.
Charlotte Gray
publicado por fpg às 15:24


Ana Julia Torres vive em Cali, na Colômbia.
A sua paixão por animais levou-a a fundar um abrigo onde recolhe todos os bichos que, negligenciados e abusados pelo Homem, precisam de apoio.
E eles retibuem desta forma.
A notícia integral da AP é esta:
Through the bars of his cage, an African lion named Jupiter stretches his giant paws around the neck of Ana Julia Torres and plants a kiss on her puckered lips.
It could be a kiss of gratitude: Since Jupiter was rescued six years ago from a life of abuse and malnutrition in a traveling circus, Torres has fed and nursed him back to health at her Villa Lorena shelter for injured and mistreated animals.
''Here we have animals that are lame, missing limbs, blind, cross-eyed, disabled,'' said Torres, 47, who relies on donations and her own modest teacher's salary to run the shelter in a poor neighborhood in the southern city of Cali. ''They come to us malnourished, wounded, burned, stabbed, with gunshots.''
Torres said her work rehabilitating animals began more than a decade ago when a friend gave her an owl that had been kept as a pet. Later, when she asked her students to bring their pets to school, she realized many families illegally kept wild fauna from Colombia's biologically diverse jungles in their homes.
The number of animals under her care grew, and today Jupiter is among 800 recovering creatures at Villa Lorena — from burned peacocks and limbless flamencos to blind monkeys and mutilated elephants.
Most of the animals are caged, though some, like iguanas, roam freely around the impeccably clean grounds enclosed by a 13-foot wall. Inside is a monument that the state governor dedicated in recognition of Torres' work.
Torres said many of the animals were rejected as infants by their parents in the wild or found abandoned on the streets of Cali, a city of 2 million.
Others were rescued from cruel treatment by owners. One mountain lion kept illegally as a pet had its two front legs cut off by its owner after it clawed a family member's face.
Torres said that of all the animals she has cared for, she is proudest of having rescued Yeyo, a now-deceased spider monkey who had suffered violent, drunken beatings at the hands of an alcoholic owner.
''The monkey would scream every time it was beaten, until one day the police came and found the wall covered in blood,'' she said.
Two veterinarians saved Yeyo from death, though it lost an eye and its teeth from the abuse. Yeyo remained terrified of people, cowering in the corner of the cage at the sound of footsteps, she said.
Torres said she opposes exhibiting animals in circuses and has therefore kept her shelter closed to the public.
''We want the animals to live in peace,'' Torres said. ''All their life they were shown at circuses and shows — this is a paradise where they can finally rest.''
Written by INALDO PEREZ Associated Press Writer
RELATED LINKSAnimal-welfare volunteer opportunities: In this directory, you'll find opportunities to make a difference for animals in 15 minutes, a few hours (once, or each week), or during a volunteer vacation.The Animal Protection Institute 's mission is to advocate for the protection of animals from cruelty and exploitation. The Humane Society works to reduce suffering and to create meaningful social change for animals by advocating for public policies to protect animals, investigating cruelty and working to enforce existing laws, educating the public, and conducting hands-on programs.Animal Rights and Animal Protection Organizations: A database from greenpeople.org offering 248 listings.
publicado por fpg às 15:19

Olhos que não vêem, coração que não sente.
publicado por fpg às 15:18

12
Fev 07
Coloane, 2004



O leme da natureza humana é o alvedrio; o piloto é a razão; mas quão poucas vezes obedecem à razão os ímpetos do alvedrio?
Pe. António Vieira


Coloane, Primavera 2006

Às 4 da manhã fiquei a saber que o meu país regrediu no que toca ao respeito pela Vida.
Tendo sido o primeiro a abolir a escravatura, foi dos últimos a aceitar a legalização do extermínio dos que ainda não têm voz.
Os novos Herodes que, pasme-se!, só agora chegaram ao Séc. XXI, consideram que finalmente somos modernos...
Quando, na realidade, apenas estamos a ser a maria que vai com as outras...
Eu "sei que não vou por aí"!
publicado por fpg às 10:00

Nanjó, João B.
publicado por fpg às 09:29

11
Fev 07
Lijiang, Abril 2006



 

Menos fumadores, mais pessoas a nunca terem experimentado e mais gente a deixar o tabaco. Em três anos, foi esta a evolução ocorrida na generalidade dos países da União Europeia, incluindo Portugal. Os dados foram divulgados ontem e resultam de um inquérito realizado entre Setembro e Dezembro de 2005 no espaço comunitário.
Três anos depois do último eurobarómetro sobre a atitude dos europeus em relação ao tabaco, em 2002, os números revelam que a percentagem de fumadores na Europa a 15 caiu de forma significativa: passou de 33 por cento para 26 por cento. O valor registado em Portugal é semelhante (27 por cento), ainda que corresponda a uma diminuição menos significativa: dois pontos percentuais entre 2005 e 2002.
A nível europeu, registou-se uma quebra superior a 20 por cento no universo dos fumadores. Reino Unido, França e Espanha são os países onde o consumo mais caiu.
Nestas estatísticas, conhecidas no dia em que a Comissão lançou o debate sobre o combate ao consumo de tabaco, Portugal destaca-se num outro indicador. Na lista dos 27 Estados-membros da UE e ainda Croácia e Turquia, os países onde foram feitos os inquéritos, os portugueses são os que mais dizem nunca ter fumado: 58 por cento. Em 2002 eram 56 por cento.
Esta evolução registou-se, aliás, na generalidade dos países europeus. Ainda que nalguns Estados, como por exemplo na Dinamarca, os que responderam nunca ter consumido tabaco continuem em minoria (apenas um em cada três).
O inquérito conduzido sob a alçada da Direcção-Geral de Saúde e Defesa do Consumidor revela ainda que, em relação 2002, o número de ex-fumadores aumentou na maioria dos países (em média três pontos percentuais). Mas Portugal é um dos que contrariam essa evolução.
Se, em 2002, 14 por cento afirmaram tê-lo feito, três anos depois a percentagem desceu para os 13 por cento. Já na Holanda ou na Dinamarca, o valor aumentou para os 30 e os 27 por cento, respectivamente. Foi sobretudo entre as mulheres e os jovens que a redução foi globalmente mais significativa.

Dezoito cigarros por dia
A Comissão tentou ainda perceber com que frequência e intensidade os europeus fumavam. E concluiu que os cidadãos da UE são sobretudo fumadores regulares e que, em média, consumem 14,9 cigarros por dia (dados relativos à UE a 25, antes do alargamento).
Os portugueses parecem ser mais viciados - fumam em média 18 cigarros por dia -, número que se agravou ligeiramente em relação a 2002. Mas ninguém bate os gregos, que consomem em média mais de um maço de tabaco por dia.
Sobre os locais onde é habitual fumar, o inquérito revela que quatro em cada cinco dos inquiridos fazem-no em casa e pouco mais de metade (54 por cento na UE) no carro. O comportamento do fumador português afasta-se aqui um pouco da média da UE e são bastante menos os que acendem um cigarro em casa e muito mais os que o fazem no carro.
Mas o comportamento dos europeus muda, por exemplo, se ao seu lado tiverem um não fumador, revelando alguma consideração por quem não tem o vício.
Ainda assim, o inquérito também mostra que a maioria dos cidadãos europeus declara que nunca ou raramente se sente incomodado pelo fumo dos outros no seu dia-a-dia. É sobretudo na faixa etária entre os 15 e os 24 anos que a aversão ao tabaco é mais pronunciada.
Somadas as respostas "nunca" ou só "às vezes" pede a um fumador para não fumar na sua presença, constata-se que em todos os países existe uma "clara maioria de pessoas que não reage, ou só em certa medida, demonstrando alguma tolerância em relação aos fumadores".
Os aspectos desagradáveis associados ao tabaco, como o cheiro que fica nas roupas e no cabelo, são os mais referidos por quem se sente incomodado. Mais até do que as preocupações relacionadas com a saúde.
Isabel Leiria
POL nº 6153 Quarta, 31 de Janeiro de 2007

Luang Prabang, Dezembro 2003
publicado por fpg às 21:02

Luang Prabang, Dezembro 2003


Só os grandes sábios e os grandes ignorantes é que são imutáveis.

publicado por fpg às 20:49

Ofende os bons quem poupa os maus.

publicado por fpg às 00:29

10
Fev 07
Luang Prabang, Dezembro 2003
publicado por fpg às 08:47

Luang Prabang, Dezembro 2003


O bom proceder consiste em sermos em tudo sinceros e conformarmos a alma com a vontade universal, isto é, fazer aos outros aquilo que desejamos que nos façam.


O fraco chefe faz fraca a forte gente.

Luís de Camões

publicado por fpg às 08:32

09
Fev 07
Rita D.
publicado por fpg às 19:00

Tibet, Outubro 2004

 
publicado por fpg às 17:36

Tibet, Outubro 2004



Não há atalhos fáceis para qualquer sítio digno de ser visitado.
Beverly Sills

publicado por fpg às 17:32

A empregada da família VP que mora em Paço de Arcos, vai votar Sim; prefere ter que fazer abortos a gastar dinheiro na pílula. Uindo, uindo, uindo! É a perfeita cereja em cima do bolo!
Há muito estou convencida deste facto: não devem ser poucas as mulheres para quem abortar é menos lesivo do que ter de arrancar um dente. Não acredito que o número das coitadinhas traumatizadas seja assim tão extenso...
Li num blog do Sim o testemunho pseudo-dramático de um homem cuja namorada abortou... porque conscientemente se descuidaram...
Referiu que teve conhecimento duma situação em que uma mulher fez um aborto em condições rudimentares. Porque estava a gemer com dores a abortadeira ter-lhe-á dito "geme, geme, porque também gemeste quando o fizeste".
Acham que gajas destas, tal como a empregada dos VP, sofrerão o que quer que seja se tiverem de fazer elas próprias abortos?
Já agora gostaria de saber se o Serviço Nacional de Saúde ficará com um banco de dados sobre as mulheres que abortam. Vai ser possível que uma mulher aborte as vezes que bem entender?
Qual é o limite?
Já pensaram em laqueações de trompas obrigatórias para quem aborte mais de duas vezes?
Só se pensa nos dramas das coitadinhas que não querem os filhos que têm nos ventres (mesmo que não tenham sido violadas, que o feto seja viável, que não tenham problemas económicos e que os psicológicos façam parte da encenação necessária a garantir o desmancho)?
E então os dramas dos que querem ter filhos e não conseguem?
Não deveriam ter direito a usufruir do mesmo apoio integral do Estado?
Infelizmente temos um governo comandado por um moderninho mimado e prepotente, exemplo acabado do egoísmo que cada vez mais grassa nas novas gerações, praticantes exímias e dedicadas do autismo-narcisista "adoramo-nos a nós próprias".
É melhor desbaratar o orçamento público em caricatas viagens, de uma embaixada de 5a. classe, ao que foi o Império do Meio, onde o aborto é imposto pelo Estado.
É mais fácil legalizar a mortandade de milhares e bebés do que ter de melhorar as condições que contribuirão para que eles não sejam um peso: a qualidade de vida do povo! O Herodes e o Pôncio Pilatos devem estar surpresos com a quantidade de herdeiros que ainda têm.
O "Eu" é o que conta, o gozo imediato... de uma queca desprotegida resulta uma criança... não estamos para ter chatices, responsabilidades. Se se pode abortar sem pagar um tusto, 'bora aí!
Provavelmente do aborto clandestino o que mais lamentam é o dinheiro nele gasto...
Cada vez mais a palavra Solidariedade, tão usada em campanhas eleitorais por todos os partidos, é esvaziada de sentido.
Os que a mais pregam são os que menos a praticam.
Muitos nem devem saber o que, na verdade, significa!
publicado por fpg às 10:33

Vencidos, mas não convencidos!
publicado por fpg às 10:32

08
Fev 07

1. Nós, portuguesas e portugueses, somos chamados a responder, no referendo de 11 de Fevereiro de 2007, a esta pergunta: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” ( ).
É importante que todos votemos não!

A lei vigente e a pergunta
2. A lei vigente ( ) – resultante de alterações introduzidas em 1984 e 1997 – prevê o crime de aborto como punível com prisão ( ), mas já despenaliza (declara não punível):
a) O aborto terapêutico (para remover ou evitar perigo de morte ou de grave lesão para a saúde física ou psíquica da mulher – sem prazo, se for o único meio de remover esses perigo);
b) O aborto eugénico (nos casos de inviabilidade do feto, a todo o tempo, e nos casos incuráveis de doença grave ou malformação congénita do nascituro, nas primeiras 24 semanas de gravidez);
c) O aborto no caso de violação, nas primeiras 16 semanas ( ).
3. O diploma aprovado, na generalidade ( ), pela Assembleia da República, que está na base deste referendo (como em 1998), visa permitir o aborto:
a) A pedido da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez, para preservação da sua integridade moral, dignidade social ou maternidade consciente;
b) Caso se mostre indicado para evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, designadamente por razões de natureza económica ou social, e for realizado nas primeiras 16 semanas de gravidez.

4. Com esta redacção, o aborto poderá, na prática, ser realizado sempre que a mulher queira, porque é fácil inventar uma razão de natureza económica ou social. Isto equivale a uma liberalização ( ) do aborto nas primeiras 10 ou 16 semanas.
Assim, pergunta escolhida para o referendo é ainda mais liberalizadora do que a do citado diploma, do ponto de vista dos motivos justificativos do aborto, abrindo caminho a uma liberalização num prazo mais dilatado.
A pergunta do referendo visa despenalizar – o que equivale a legalizar, a autorizar – o aborto a pedido da mãe, nas primeiras 10 semanas de gravidez, seja qual for o motivo invocado – mesmo que por mera conveniência ou comodidade da mãe.

Não à interrupção voluntária da vida
5. O que está em causa não é só a gravidez da mulher, mas também a vida do bebé: é a protecção jurídica da vida humana e o direito à vida, que é, obviamente, o primeiro e principal direito humano ( ), porque dele dependem todos os outros. Merece a protecção máxima.
6. Esta questão é uma das mais marcantes da filosofia político-social de um País e, por isso, não pode deixar ninguém indiferente. Não é só uma questão do foro íntimo das mulheres. Não é só uma questão religiosa. Não é uma questão secundária, no debate político.
Por isso, a Constituição portuguesa afirma que “a vida humana é inviolável” (no art. 24.º ( )).
E a Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, proclama que “todo o indivíduo tem direito à vida” (art. 3.º)( ).
Obviamente, a vida humana deve ser protegida desde que existe vida humana.
Consequentemente, a lei ordinária deve proteger a vida humana e condenar todos os actos que a ponham em causa, desde que começa até à morte natural.
7. A esmagadora maioria dos cientistas e, sobretudo, dos especialistas em fetologia está, hoje, de acordo em que a vida humana é um processo contínuo de desenvolvimento, que começa com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide e termina com a morte ( ).
A partir da concepção, surge um novo ser humano, distinto quer da mãe quer do pai. Tanto que tem um genoma diferente do de ambos e que é o mesmo em todas as células do corpo, desde a primeira divisão da célula resultante da fusão do óvulo com o espermatozóide até à morte. A autonomia do embrião é bem clara nos casos de “bebé proveta” e da “barriga de aluguer”.
Os médicos sabem, hoje, que o feto seria rejeitado pela mãe, como um corpo estranho, se não enviasse para a mãe uma proteína, como quem diz: “não me rejeites porque eu ainda preciso de ti”.
O processo de desenvolvimento do ser humano é contínuo e um só, desde a fecundação até à morte, não havendo qualquer diferença essencial de natureza em nenhum momento desse processo. Com 10 semanas, o coração bate, o bebé chucha no dedo e dá sinais de sofrimento ( ). Isso pode ser facilmente comprovado por ecografia, embrioscopia e fetoscopia. E é bem claro num recente e interessantíssimo video da National Geographic Society.
Com sete meses de gravidez, a criança já pode sobreviver fora da mãe, de modo que o nascimento aos nove meses não representa senão uma nova fase da mesma vida, como a adolescência ou a velhice.
8. Há quem diga que o embrião é um “monte de células”. É verdade que todos nós pertencemos ao género “monte de células”, mas células vivas (que se desenvolvem rapidamente) e da espécie humana: o embrião não é um peixe, nem um rato, nem uma amiba! A vida gerada por um homem e uma mulher só pode ser uma vida humana. Por isso, merece protecção.
Há quem tenha dúvidas sobre o momento em que começa a vida ou em que a vida é humana.
Há quem diga que a vida só é humana, a partir do momento em que o cérebro está formado. Mas não há razão nenhuma de fundo para introduzir esse limite, porque o cérebro é tão importante como o coração ou os pulmões e todos os órgãos existem em potência no ADN, desde a fecundação: a partir desta, apenas se desenvolvem gradualmente, sem saltos qualitativos relevantes. A partir das oito semanas as principais estruturas do sistema nervoso central estão formadas e o feto dá sinais de sofrimento.
E, na dúvida, o bébé deve ser protegido, não destruído.
9. Consequentemente, uma lei que admita o direito ao aborto deve considerar-se inconstitucional, por violar o art. 24.º ( ).

Não ao aumento do sofrimento da mulher
10. A experiência de vários países (como os EUA e a Polónia) onde o aborto voluntário foi liberalizado mostra que ele causa frequentemente sofrimentos à mulher: sentimentos de culpa, depressões, disfunção sexual, esterilidade, tendência para aborto espontâneo, etc., que levam, muitas vezes, à promiscuidade, ao divórcio, ao alcoolismo, à droga, à prostituição, ao crime e ao suicídio. E provoca frequentemente cancro da mama.
Na Finlândia, a taxa de suicídios é três vezes maior entre as mulheres que abortaram.
Os advogados americanos de Norma McCorvey, que estão a tentar a revogação da sentença do caso Roe vs. Wade, juntaram 2000 declarações ajuramentadas de mulheres que passaram por tais situações. Isso não acontece sempre e, por vezes, verifica-se vários anos mais tarde; mas, quando um remédio provoca efeitos negativos tão graves e tão frequentes, é habitual ser proibido. Porque não o aborto a pedido?
11. Quando as mulheres procuram clínicas de aborto, não as informam desses riscos e procuram esconder a realidade do aborto. E nem sempre as clínicas têm as condições de higiene que se supõe que deviam ter.
12. Com a penalização do aborto, não se pretende agravar os problemas das mulheres. Pelo contrário, deseja-se evitar-lhes problemas futuros de que elas não têm consciência. O aborto legal não é seguro: envolve riscos sérios para a vida e a saúde física e psíquica da mulher. Se o aborto voluntário for proibido, muitas mulheres não chegarão a cometê-lo. Se for permitido, muitas fá-lo-ão, convencidas de que não faz mal nenhum – o que não é verdade.
13. É importante afirmar o princípio da proibição, mesmo que se admitam, em casos concretos, situações de verdadeiro estado de necessidade desculpante (já previsto no Código Penal, art. 35.º). Uma coisa é considerar crime um certo tipo de acto objectiva e geralmente ilícito; outra muito diferente é condenar ou absolver uma pessoa, em concreto, atendendo ao conjunto de situações desculpantes ou circunstâncias atenuantes em que cometeu o acto.
A qualificação do aborto, em geral, como crime é importante para desincentivar tal prática. Porque a lei tem um efeito pedagógico. E a prática do aborto é profundamente contrária ao respeito pela vida humana; mesmo que, na realidade, tal pena seja poucas vezes aplicada, como tem acontecido em Portugal.
Isso não é hipocrisia, mas, frequentemente, o resultado da verificação de causas de justificação ou de exclusão da culpabilidade (como o estado de necessidade, a inconsciência da ilicitude, etc.). Mas essa é a regra geral aplicável a todos os crimes: quando dois homens, que não sabem nadar, estão, no mar alto, num barco onde só cabe um, não é punido aquele que matar o outro para salvar, ao menos, uma das vidas. Noutros casos, a não punição é uma manifestação de justiça, de tolerância ou de perdão.
14. Ninguém quer pôr mulheres na prisão: o que queremos é que não haja abortos voluntários – nem legais nem clandestinos.
Liberalizar o aborto tem como consequência introduzir um princípio na vida social que induz a incentivá-lo, cada vez mais. Porquê 10 semanas ( ) e não 12 ou 36 semanas (nove meses)? Ou nos primeiros três meses após o parto (hoje, “infanticídio”)? São fases seguidas do mesmo processo de desenvolvimento! E, se a lei for alterada, haverá mais mulheres a fazer aborto atrás de aborto. Infelizmente, essa é a realidade verificada em todos os países onde o aborto foi despenalizado.
Dizer que se quer despenalizar a IVG para não ter mulheres no tribunal ou na prisão, dando a sensação de que se tem pena das mulheres (para captar os seus votos?), é pura demagogia: se a mulher abortar após as 10 ou 15 ou 36 semanas não será levada a tribunal? E não será punida? A mulher que fizer um aborto clandestino não será punida? Deveremos ceder, só para evitar a manifestações na TV? Então, passaremos a ceder perante tudo o que for exigido na TV?
É menos mau mandar para a prisão algumas mulheres por aborto ilegal, do que muitas mulheres por crimes cometidos na sequência de abortos legais.
15. Argumenta-se que o julgamento da mulher que abortou leva à violação da privacidade desta. Na verdade, a investigação e prova do crime exige, normalmente, exames ginecológicos. Em todo o caso, tais exames são semelhantes aos que todas as mulheres fazem regularmente, por motivos de higiene. E a necessidade de protecção do novo ser humano justifica tal intervenção na privacidade da mulher, que esta, aliás, pode evitar, omitindo o aborto.

Não ao direito da mulher ao aborto!
16. Defender a despenalização em nome da liberdade de escolha da mulher equivale a esquecer que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros; e o outro, neste caso, é um ser humano inocente e indefeso, que nunca terá liberdade, se nem chegar a nascer.
17. Reconhecer à mulher o direito ao aborto a pedido equivale a sobrepor o interesse da mulher ao direito à vida da criança.
Quando há um conflito de direitos, a regra é que deve prevalecer o que deva considerar-se superior ( ). Por isso, a maior ou menor riqueza, a dignidade social, a consciência da maternidade ou a saúde psíquica da mãe, por respeitáveis que sejam, não devem prevalecer sobre a vida do nascituro, que é um ser humano com dignidade igual à da mãe.
Se despenalizar o aborto a pedido, a lei suprimirá o próprio conflito de direitos entre a mãe e o filho, favorecendo apenas a mãe, em detrimento sistemático da criança, ser humano inocente e indefeso!
18. É errado afirmar um direito absoluto da mulher a dispor do seu próprio corpo, porque nenhuma mulher deu vida a si própria, de modo a poder tirá-la. Pode a mulher dispor de partes destacáveis do corpo, como o cabelo, as unhas ou certos órgãos; mas a criança não é parte do corpo da mãe. Tratá-la como simples parte da mãe é considerá-la como uma coisa, como os antigos tratavam os escravos!
Por outro lado, fora da hipótese de clonagem, geralmente condenada, nenhuma mulher consegue gerar um filho sozinha, sem o esperma de um homem. O filho nunca é só dela. Ela não pode, por isso, decidir sozinha sobre a vida do filho. Na falta de acordo dos pais, deve prevalecer sempre a vida da criança. E a própria formulação da hipótese de um acordo dos pais sobre a vida da criança mostra que esta é distinta dos pais e, portanto, merece protecção.
19. O feto depende da mãe, antes do parto, como também a criança nos primeiros tempos depois do parto. Como todos os homens dependem de outros, sempre que sofrem de doenças graves.
Com as novas tecnologias da fecundação assistida, etc., é possível assegurar a sobrevivência de embriões e fetos fora da mãe biológica.
Vivendo, normalmente, dentro da mãe e alimentando-se dela, não pode o embrião considerar-se, todavia, como simples parte do corpo da mãe, precisamente porque resulta também da intervenção do pai e tem características distintas de ambos. Pode parecer chocante, à primeira vista, mas, se bem pensarmos, para a criança depois da fecundação, o corpo da mãe é como uma incubadora – uma excelente incubadora, a melhor incubadora.
20. Pretende-se reconhecer um direito ao aborto, ou seja, a que um serviço público preste e ou pague o serviço de matar um ser humano indefeso! Quando não há camas para todos os doentes! Quando não há verba para tratar todos os doentes! Quando seria bom que a população crescesse! E quando há outros meios eficazes e acessíveis de planeamento familiar!
21. Reconhecer o direito ao aborto a pedido da mulher conduz à completa irresponsabilização do homem, pelas crianças que gera. Isso é tanto mais grave quanto o pai da criança é, muitas vezes, quem mais pressiona a mulher para abortar. Outras vezes, o pai quer ter a criança, mas a mãe decide abortar sem sequer o ouvir.

Não a uma lei contrária à natureza!
22. A proibição do aborto é, assim, uma exigência que corresponde à natureza das coisas: é de direito natural, que o próprio legislador deve respeitar, quando faz leis ( ).
23. A questão da ilicitude do aborto não é, apenas, uma questão religiosa.
A proibição do aborto é muito anterior a Cristo. Consta do célebre juramento de Hipócrates, prestado pela generalidade dos médicos, desde o séc. IV a. C. até hoje ( ).
Consta do Antigo e do Novo Testamento ( ). É doutrina da Igreja, desde os primeiros séculos da nossa era e dos primeiros concílios, de 300 e 314, recentemente reafirmada no Código de Direito Canónico de 1983 ( ), na Encíclica “Evangelium vitae”, de 1995, e em múltiplas declarações dos Papas e bispos e, recentemente, da Conferência Episcopal portuguesa.
É também a posição de diversas outras religiões ( ).
Mas o direito à vida não é uma questão meramente religiosa. A defesa da vida é uma questão ética e política, que se impõe, qualquer que seja a religião da pessoa.
24. Por outro lado, a Igreja Católica tem sido muito atacada neste contexto, mas não tem que receber lições de solidariedade: há, actualmente, cerca de 2000 instituições vocacionadas para a protecção de mulheres grávidas e crianças indesejadas, criadas pela Igreja (padres ou leigos). E não são de hoje: basta pensar nas Misericórdias, criadas pela Rainha D. Leonor, no séc. XV, que tinham as célebres “rodas de enjeitados”.

Não a uma lei retrógrada!
25. Não é pelo facto de a proibição do aborto ser afirmada há muitos séculos, que a liberalização do aborto pode considerar-se uma ideia moderna.
Houve também quem a defendesse na antiguidade.
A verdade é, todavia, que, até ao séc. XIX, o aborto era muito perigoso, envolvendo quase sempre a morte da mãe. Por volta de 1750, encontrou-se uma técnica de aborto menos perigosa, de modo que, após a Revolução Francesa, o aborto foi legalizado em muitos países.
Entretanto, em 1843, Martin Berry descobriu o processo de reprodução tal como é hoje conhecido. E, em 1857 e 1870, a American Medical Association elaborou dois relatórios concluindo, sem margem para dúvidas, que o aborto era inaceitável. Daí surgiram campanhas para proibir o aborto, que levaram à aprovação de leis nesse sentido na maioria dos Estados ( ).
26. No séc. XX, o primeiro país a liberalizar o aborto foi a União Soviética, em 1920. Hitler liberalizou-o nos territórios ocupados pela Alemanha, ao mesmo tempo que recomendava aos “arianos” que tivessem muitos filhos. Foi, todavia, em meados do século que se intensificou o movimento de liberalização ( ). Foi defendida, nos Estados Unidos, desde os anos sessenta, e é uma das teses do Maio de 68. Posteriormente, vários Estados do mundo liberalizaram mais ou menos o aborto.
27. A partir dos anos 90, está em retrocesso e ultrapassada ( ). Alguns dos mais entusiastas defensores da liberalização do aborto defendem, hoje, a sua proibição. É o caso do Dr. Bernard Nathanson ( ) e de Norma McCorvey, queixosa no célebre caso Roe versus Wade, que serviu de precedente à liberalização na América. A tendência contrária à liberalização do aborto é cada vez mais forte no mundo. Nos E.U.A., após 1994, aumentou significativamente o número de Estados que aprovaram legislação restritiva ( ).

Não a uma lei que agrava os problemas do aborto clandestino
28. O aborto clandestino, tantas vezes feito sem cuidados mínimos de higiene, causa problemas de saúde pública preocupantes: hemorragias, infecções, risco de morte, etc.; em todo o caso, não é tão frequente quanto os pró-escolha tentam fazer crer.
29. Mas A despenalização do aborto “legal” (não do clandestino!) não resolve, antes agrava esses problemas! É errado pensar que a despenalização do aborto a pedido reduz o número de abortos clandestinos. O que se verifica, nos países em que houve liberalização, é precisamente o contrário: não só o número de abortos legais cresceu exponencialmente, como o número de abortos clandestinos aumentou assustadoramente.
Por exemplo, nos E.U.A., o número de abortos legais foi de 18.000 em 1968, e de 193.500 em 1970, passando para 1.034.200 em 1975 (depois da liberalização) e atingindo cerca de 1.500.000 desde 1979 até hoje (cerca de 28 abortos por 1000 mulheres de 15 a 44 anos)! 82% destes abortos são feitos por mulheres entre os 15 e 29 anos; 80% por mulheres não casadas. 77% dos abortos são feitos nas primeiras 10 semanas. Os casos “dramáticos” invocados mais frequentemente para justificar a liberalização (perigo de morte da mãe, malformações do feto, menoridade inferior a 15 anos da mãe, violação, etc.) são muito raros (menos de 3%), sendo a esmagadora maioria “justificados” por motivos “não médicos” (mais de 97%) ( ).
Em Espanha ( ), em 1994, foram feitos 47.832 abortos (5,38 %o mulheres), em 101 centros; e em 2004, foram 84.985 abortos (8,94%o), em 133 centros, sendo 96,44% dos abortos feitos em centros privados.
Na Índia, onde o aborto é legal há mais de 25 anos, foram feitos, em 1995, 900.000 abortos legais e 9.000.000 abortos clandestinos ( )( ).
30. Isso é lógico, porque, se a lei diz às mulheres que abortar a pedido é legal, elas convencem-se de que é seguro e não faz mal.
31. Em Portugal, em 2005, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizaram 906 IVG e trataram 73 complicações decorrentes de abortos ilegais. Os números (ainda provisórios) da Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelam um aumento de 72 interrupções voluntárias da gravidez, em relação a 2004, e de 185, em comparação com 2003 ( )( ).
Se o aborto for despenalizado até às dez semanas, é previsível que os hospitais passem a receber muitos mais pedidos de mulheres que queiram interromper a gravidez. Nesse cenário, os maiores hospitais públicos não têm condições humanas e técnicas para responder a um número mais elevado de IVG ( ), havendo que recorrer a clínicas privadas. Prevê-se que cada aborto custe cerca de 350 a 700 Euros – segundo disse o Ministro da Saúde, há dias.
Entretanto, foram vendidas, em 2005, em Portugal, cerca de 230 mil embalagens de pílulas do dia seguinte.
32. Para diminuir o número de abortos, clandestinos ou não, é necessário, sobretudo, mais informação e apoio às mulheres grávidas em dificuldade, antes e depois do parto – como o que tem vindo a ser prestado pelo Ponto de Apoio à Vida, pela Ajuda de Mãe, pela Ajuda de Berço e por tantas outras instituições de Norte a Sul do País. Cerca de 50 dessas instituições foram criadas depois do referendo de 1998 pelos movimentos de defesa da vida. Por elas passaram cerca de 100.000 mulheres, tendo sido evitados muitos abortos.
Muitas dessas instituições vivem de donativos de particulares, mas também de subsídios do Estado e das autarquias locais – que não darão todo o apoio necessário (será possível nalgum campo?), mas dão muito a quem as procura. São pouco conhecidas? Talvez; há quem não queira que a mão direita saiba o que dá a esquerda; e também há quem procure branquear o que se faz de bom à sua volta: só é notícia “o homem a morder no cão”…

Não ao aborto por motivos económico-sociais
33. Defende-se, muitas vezes, a “interrupção voluntária da gravidez” invocando a má situação económico-social da mulher; mas os problemas económico-sociais devem ter soluções económico-sociais: se a mulher não tem rendimentos suficientes para sustentar o filho, o Estado, em vez de pagar as despesas do aborto, pondo em causa a vida da criança, deve dar-lhe ajuda ou promover a adopção.
34. A vida humana tem um valor superior a todos os outros valores económico-sociais.
É contraditório fechar maternidades e, simultaneamente, prever verbas elevadas para pagar abortos.
35. Por vezes, aceita-se o aborto em nome da qualidade de vida da mãe. Mas porque se pensa só na qualidade de vida da mãe e não na da criança? E o que é a qualidade de vida? Que qualidade tem uma vida egoísta e sem amor? Que qualidade de vida tem uma mãe que sabe que matou um filhinho inocente? Os homens esquecem facilmente os problemas da depressão da mulher posterior ao aborto. Muitas vezes, o aborto voluntário é, apenas, uma manifestação de egoísmo.
Além disso, é falso que o aborto melhore a qualidade de vida da mulher. O aborto (legal ou clandestino) apresenta elevados inconvenientes e riscos para a sua vida futura: tendência para o suicídio, pesadelos, má vida sexual, etc.
36. O problema social das mulheres que não desejam criar os filhos, deve ser resolvido, não com uma pseudo-solução “médica”, mas sim com uma solução social. É necessário encaminhá-las para centros de apoio e acolhimento dos filhos que elas queiram rejeitar, para uma das muitas instituições para isso vocacionadas.
37. É preocupante a frequência de “mães adolescentes”. A solução não está, todavia, em permitir que as adolescentes grávidas façam abortos, que as deixam traumatizadas para o resto da vida; mas sim em educá-las para que não tenham relações sexuais antes da idade própria e fora do casamento. Isso contribuiria, aliás, para reduzir os casos de SIDA – como mostra a experiência do Uganda (único país do mundo em que a epidemia tem vindo a diminuir significativamente), que merecia ser mais conhecida.
38. Por vezes, diz-se que é uma discriminação inadmissível que as mulheres ricas possam abortar no estrangeiro (ou em clínicas privadas) e as mulheres pobres sejam punidas, só porque não têm dinheiro para ir ao estrangeiro (ou a clínicas privadas). Mas é um argumento demagógico. Primeiro, porque, de facto, as mulheres que abortam raras vezes são punidas em Portugal: que eu saiba, nenhuma está presa ou foi presa nos últimos anos por interromper voluntariamente a sua própria gravidez. E, se as mulheres vão a Espanha abortar, também poderiam fazê-lo em Portugal, porque a lei espanhola é igual à portuguesa. Segundo, porque este género de desigualdades continuará a existir ( ), a menos que o Estado subsidie todos os abortos em clínicas de luxo – o que é incomportável e eticamente inaceitável. Terceiro, porque o facto de haver mulheres ricas que cometem erros em clínicas privadas não justifica que criemos condições para que os mesmos erros sejam cometidos pelas pobres em clínicas públicas, à custa dos contribuintes. De resto, essa aparente injustiça verifica-se em muitíssimos outros casos, a que pouca gente dá importância.
39. A questão do aborto não é só uma questão da consciência de cada um, nem uma questão íntima da mulher, que apenas a ela diz respeito. O que está em causa é a vida de um ser humano, e um ser humano inocente e desprotegido. O Estado tem o dever de o proteger, através dos mecanismos ao seu alcance, nomeadamente, da lei penal.
40. A liberalização conduz à utilização do aborto como mais um método de controlo da natalidade, ao lado dos contraconceptivos, o que é inaceitável.
41. Alguns defendem o direito de escolha da mulher entre abortar ou não em nome de um direito à maternidade responsável, apresentando o aborto como meio de evitar uma criança indesejada.
Como é sabido, uma gravidez indesejada evita-se, não tendo relações sexuais ou adoptando um dos vários métodos conhecidos de planeamento familiar. Sabendo que todos estes métodos são falíveis, a mulher que tem relações sexuais num período fértil assume, necessariamente, o risco e a responsabilidade de ficar grávida. A escolha é dela (mesmo quando condicionada pelo companheiro – a hipótese de violação, bem ou mal, já está despenalizada). A partir do momento em que foi gerada uma criança, não pode haver escolha para a matar! ( )
Não é admissível que uma mulher mate um filho por nascer, só porque preferia ter uma filha.
42. Não obrigamos ninguém a abortar clandestinamente. Não queremos é que crianças inocentes estejam sujeitas a morrer por decisão das próprias mães ou dos pais ou de terceiros.
43. Não é coerente proteger (muito justamente) os deficientes adultos e desproteger os deficientes nascituros. São todos seres humanos.
44. O desrespeito pela vida no seu início leva a semelhante desrespeito pela vida dos idosos e deficientes. A liberalização do aborto conduz, assim, à liberalização da eutanásia e à degradação da família.
Não é coerente ser contra a pena de morte, contra o infanticídio, contra a destruição de espécies animais e vegetais em vias de extinção e, simultaneamente, a favor da morte dos nascituros, eufemisticamente chamada interrupção voluntária da gravidez.
É preciso proteger a vida, desde o princípio e, sobretudo, a dos mais indefesos.
45. O que está em causa não é a tolerância para com as mulheres que fazem abortos: essa tolerância tem existido, como prova o escasso número de condenações pelos tribunais e a relativa frequência de condenações com pena suspensa. Não por hipocrisia, mas por misericórdia.
Mas uma coisa é a tolerância para com as pessoas concretas, outra bem diferente é a tolerância perante o desprezo pelo valor fundamental da vida da criança indefesa. Não queremos pôr ninguém na cadeia, queremos é que não haja abortos, nem legais nem clandestinos.
46. Acresce que, na pergunta do referendo a expressão "por opção da mulher" é errada, porque os estudos mostram que poucas mulheres abortam por livre opção própria, mas sim por pressão ou recurso. Isto é, se as mulheres tivessem escolha, poucas optariam livremente pelo aborto. É triste que se tire partido do "sim" pressionado de uma mulher grávida e sem apoio e, portanto, vulnerável, para a prejudicar e engordar os lucros das clínicas aborcionistas.
A gravidade desta despenalização é que levou a recorrer ao referendo.
47. É tão legítimo definir o regime legal do aborto por referendo como por lei da Assembleia da República.
É, todavia, delicado submeter o aborto a referendo, por se tratar de uma questão complexa, sobre a qual muitas pessoas não têm ainda informação suficiente. Daí a importância fundamental das acções de esclarecimento objectivo e sereno.
Por outro lado, depois de um referendo favorável ao “não”, ainda que com muitas abstenções, não é politicamente correcto introduzir por lei parlamentar alterações rejeitadas por um referendo recente. E isto vale também para recentes sugestões de suspensão dos julgamentos de mulheres.
48. Nem se diga que metade dos portugueses não pode impor a sua opinião à outra metade, porque isso é normal em democracia! Se o sim ganhar, imporá a sua opinião a quem votou não! E a quem não pode votar nem poderá jamais!

49. Não podemos deixar-nos levar pela propaganda pro-abortista, que falsifica estatísticas, ataca a Igreja (como se a questão fosse meramente religiosa), distorce afirmações de responsáveis (nem sempre desmentidas logo a seguir) e tenta fazer crer que a defesa da vida é uma ideia retrógrada, “medieval” ou “fundamentalista”.
50. A acusação de fundamentalismo e de outros epítetos igualmente agressivos não passa de argumento “ad hominem”, usado por quem já não tem outros argumentos. Pertence à panóplia tradicional de alguns autoproclamados “intelectuais” (de “esquerda”, por definição), que se consideram a si próprios como os detentores exclusivos da inteligência e da modernidade. Isso é que é uma manifestação de arrogância e de intolerância!
51. Depois dos horrores da Inquisição, do holocausto de 6 milhões de judeus pelo nazismo, dos 85 milhões de mortos pelo comunismo, estamos a assistir a 45 milhões de abortos por ano no mundo! Nos E.U.A, o aborto é a primeira causa de morte (1.540.000), muito acima das doenças cardiovasculares (661.400), do cancro (373.500) e da SIDA (19.886)( ). Na Rússia, o aborto é a principal causa de infertilidade das mulheres e, num terço dos abortos, causa de morte da mãe ( ).
Não queremos ser acusados pelos nossos netos de ter aberto caminho a um novo holocausto dos fetos!

Não ao negócio milionário das clínicas de abortos
52. O crescimento do número de abortos aproveita, sobretudo, às clínicas multinacionais, que são, actualmente, o principal “lobby” pro-liberalização do aborto. Basta pensar que, nos EUA, se fazem cerca de 1.500.000 abortos por ano, e cada um custa em média 300 a 400 dólares ( ). Ou seja, a “indústria” dos abortos vale, hoje, cerca de 450 a 600 milhões de dólares!
53. Embora o próximo referendo (como o anterior) tenha em vista a “despenalização” do aborto, se o sim vencer, virá logo a seguir a regra do pagamento dos abortos pelo Serviço Nacional de Saúde ou e pela Segurança Social ( ). Então, mesmo aqueles que são contra o aborto, terão de suportar os seus custos, através do aumento das contribuições.
54. É chocante que os hospitais públicos, criados para salvar vidas, sejam utilizados para matar.
Quando os hospitais públicos já não têm camas suficientes para atender todos doentes graves e urgentes e estão a fechar-se maternidades, é absurdo permitir e incentivar o aborto a pedido!
O que o Estado iria gastar com os abortos seria suficiente para ajudar todas as mulheres em dificuldade a criar os seus filhos. Porque a maior parte das mulheres que abortam não tem carências económicas.
55. Por outro lado, a liberalização do aborto vai obrigar o Estado a aumentar as despesas públicas, num momento em que é necessário reduzi-las!
56. Por outro lado, para não se tornar em mero fornecedor de abortos, o Estado será levado a fornecer alternativas a quem quiser abortar, por qualquer motivo: vai ter de fornecer casa e subsídios a mães solteiras, como acontece já em Inglaterra, a 70 mil crianças sem pai, por ano, por exemplo. A partir daí, muitas mulheres usarão esse pretexto para extorquir dinheiro ao Estado. Tanto que o Sr. Blair já teve de reduzir o subsídio às mães solteiras e começou a caça aos “pais biológicos”. É que, com este sistema, o homem adquiriu uma irresponsabilidade sexual absoluta! E o Estado está a transformar-se em chefe de família.
57. É paradoxal que se gastem cerca de 25.000 euros com a fecundação artificial de uma criança desejada e, simultaneamente, se paguem milhares de abortos voluntários à razão de 350 a 700 euros cada um. Não seria preferível promover a adopção das crianças indesejadas?

Não a uma lei que agrava o problema demográfico!
58. Além disso, Portugal perdeu, na última década, cerca de 500.000 habitantes e diminuiu significativamente a taxa de natalidade, de modo que o conjunto da população está a envelhecer e diminuir (e só não diminui mais graças à imigração). Será esta a ocasião ideal para incentivar o aborto? A Sr.ª Angela Merkel prometeu 25.000 € por cada criança!

Não a uma lei inconstitucional!
59. Uma resposta afirmativa no referendo abre caminho ao reconhecimento do direito ao aborto, que deve considerar-se insconstitucional!
É certo que o Tribunal Constitucional, em acórdão proferido em 19.3.1984 (por 8 votos a favor e 4 contra), não se pronunciou pela inconstitucionalidade do Decreto que está na origem da Lei n.º 6/84, de 11.5, que alterou o Código Penal de 1982.
Em novo acórdão sobre o mesmo diploma, proferido em 29.5.1985 (por 7 votos a favor e 6 contra), o Tribunal Constitucional considerou que o direito à vida só cabe a quem tem personalidade jurídica (que se adquire com o nascimento completo e com vida – Código Civil, art. 66.º), admitindo que a protecção da vida pré-natal, tenha de ceder, em caso de conflito, perante outros direitos fundamentais, como os direitos da mulher à vida, à saúde, ao bom nome e reputação, à dignidade, à maternidade consciente!
Estas posições, além de serem discutíveis e discutidas, não correspondem, todavia, a um correcto entendimento das conclusões da ciência da fetologia, que afirma ser a vida humana um processo de desenvolvimento único e ininterrupto, desde a concepção até à morte. E não é admissível que a protecção da vida do nascituro tenha de ceder perante o simples direito ao bom nome da mulher ou à maternidade consciente.
60. O acórdão do Tribunal Constitucional, aprovado em 17.4.1998 (por 7 votos contra 6), sobre a pergunta submetida a referendo ( ), considera que “não havendo uma imposição constitucional de criminalização na situação em apreço, cabe na liberdade de conformação legislativa a opção entre punir criminalmente ou despenalizar a interrupção voluntária da gravidez efectuada nas condições referidas na pergunta”. Para 7 dos 13 Conselheiros, “o feto (ainda) não é pessoa, um homem, não podendo por isso ser directamente titular de direitos fundamentais enquanto tais” (incluindo o direito à vida) – embora reconheçam que o art. 24.º da Constituição integra “a protecção da vida humana intra-uterina” (com manifesta contradição interna).
O que está em causa não é apenas a protecção de um “direito” (que há quem queira reconhecer a um ser humano depois de nascer), mas a protecção jurídica de um ser humano, que existe como tal desde a fecundação, mesmo antes de nascer.
61. O mais recente acórdão do Tribunal Constitucional, de 15.11.2006 (por 7 votos a favor e 6 contra), considerou constitucional o referendo proposto; mas desprezando os dados científicos sobre o início da vida humana e com seis extensos e bem fundamentados votos de vencido, em que, nomeadamente, se considera que a referência da pergunta a “um estabelecimento de saúde legalmente autorizado” induz uma resposta afirmativa e que o sim ao referendo contraria o princípio da inviolabilidade da vida, consagrado no artigo 24.º, n.º 1, da Constituição.
62. O próprio Código Civil dispõe que “A personalidade adquire-se pelo nascimento completo e com vida” (art. 66.º, n.º 1); mas protege a personalidade física e moral, em termos que abrangem os nascituros. Nomeadamente, os nascituros podem ser perfilhados, podem adquirir bens por doação ou sucessão por morte e têm o direito a que a herança, que lhes seja deixada, seja administrada (Código Civil, art. 952.º, 1855.º, 2033.º e 2240.º). Pode, por isso, afirmar-se que os nascituros já têm personalidade jurídica, embora com capacidade limitada e condicionada ao nascimento com vida ( ).
63. Por outro lado, há seres protegidos penalmente sem terem personalidade jurídica: é o caso, por exemplo, das espécies animais ou vegetais em vias de extinção, como o lince da Serra da Malcata, cuja morte é punível com prisão até três anos ( ) – a mesma pena aplicável ao aborto, pelo art. 140.º!

Não ao aborto a pedido!
64. Se a redacção vigente do Código Penal já ultrapassa os limites da ética, uma resposta afirmativa à pergunta do referendo é de extrema gravidade, pois abre a porta a um aumento exponencial do número de abortos.
Actualmente, realizam-se já, no mundo, cerca de 45 milhões de abortos por ano! Isto, ao abrigo de leis liberalizadoras que os socialistas pretendem copiar.
Será que Portugal, que foi pioneiro na abolição da pena de morte para criminosos, vai a reboque da moda ( ) tendente a autorizar a morte de seres humanos inocentes? E isso, por mera conveniência da mulher e das clínicas de aborto?
Será que Portugal, que foi pioneiro na abolição da escravatura, vai a reboque da moda tendente a negar a vida a seres humanos em desenvolvimento, só porque uma lei (modificável) não lhes reconhece a personalidade jurídica? Os esclavagistas também utilizavam esse argumento!
E isto, quando nos Estados Unidos e noutros países do mundo, se verifica que a legalização do aborto apenas tem como efeito o aumento exponencial do número de abortos, quer legais quer clandestinos – ou seja, quando as leis liberalizadoras têm efeitos opostos aos que se invocam como justificação para as introduzir. Pelo contrário, a experiência da Polónia mostra que a penalização do aborto reduz muito significativamente tanto os abortos legais como os clandestinos.
Será que vamos legalizar os roubos, a pretexto de que a maioria dos ladrões não são apanhados e é injusto que uns sofram na cadeia e os outros não?
65. A necessidade de protecção da vida humana é, hoje, patente também em relação à procriação artificial, eufemisticamente chamada procriação medicamente assistida (como se a procriação normal não beneficiasse, frequentemente, de assistência médica). É preciso que o legislador seja coerente na protecção da vida humana, desde a fecundação, proibindo a investigação sobre embriões que conduza à sua destruição; proibindo a utilização de embriões (matando-os) para produzir remédios para doenças de outrem (instrumentalizando um ser humano indefeso em benefício de outro); proibindo a produção de embriões excedentários destinados à morte; etc.
66. A comunicação social (sobretudo, a TV) criou a impressão de que o sim vai ganhar; mas só será assim se nós quisermos! Isso também aconteceu em 1998 e, depois, ganhou o não! Temos é que convencer todos os que nos cercam a votar não!
É preciso que todos votem: se houver mais de 50% de abstenções, o resultado do referendo não será vinculativo e os defensores da despenalização irão defender a despenalização por lei da Assembleia da República.
É preciso que todos votem não: mesmo que o referendo não seja vinculativo, a vitória do não é politicamente relevante – como aconteceu com o referendo de 1998.
Quem tem dúvidas, deve esclarecê-las (lendo os livros que tratam do assunto e participando em sessões de esclarecimento) e votar não!
Por todos estes motivos, no referendo sobre o aborto, a resposta só pode ser uma: não à despenalização do aborto a pedido! É mau matar seres humanos e aumentar o sofrimento da mulher!
Luís Brito Correia
2.2.2007
publicado por fpg às 20:45

No dia 17 de Novembro de 2000 parti de Hong Kong para uma inesquecível viagem de 25 dias, no começo de quase dois meses de férias.
A primeira paragem foi em Nova Iorque onde, porque lá voltaria, deixei a maior parte da bagagem. No aeroporto tinha uma maravilhosa surpresa à minha espera: as duas princesas da tia, a mais nova das quais pude abraçar pela primeira vez.
Depois de várias atribulações que meteram vôos NY-Houston-Dallas-Guatemala City, cheguei finalmente a Antigua, a antiga capital da Guatemala.
A casa onde fiquei era deliciosa, foi construída em 1567. Fiquei num quarto independente num 1o.andar, enquanto toda a casa é de piso térreo, com um pátio cheio de flores e estátuas antigas. Tinha vista para dois vulcões.
A cidade e as pessoas eram simpáticas. Quase todas as casas são de piso térreo com muitas influências espanholas e com recantos verdadeiramente encantadores. Viam-se imensos descendentes de Maias pelas ruas.
Deliciei-me a passear pelas ruas, a viajar para trás no tempo, tendo todo o tempo do mundo para tirar fotografias à vontade (acho que é quase a única vantagem de viajar sozinha).
Depois estive em Tikal, que é espectacular, porque fica completamente no meio da selva; foram os monumentos impressionantes, no meio de uma vegetação luxuriante que ainda cobre imensos e que assim continuarão para não desequilibrar o ecossistema...
Foram os cheiros da selva, os ruídos dos pássaros, dos macacos e sei lá de que outros animais, como os beija-flor (minúsculos e rapidíssimos), um pica pau de crista encarnada, tucanos em miniatura com bicos maiores que o corpo, uns primos de perus, de papa-formigas, etc.
A seguir fui para Chichicastenango onde fiquei num dos hotéis mais espectaculares do país porque está todo decorado com peças antigas; o meu quarto era lindíssimo e dava a sensação de andar para trás no tempo... aliás todo o hotel era assim...
Aí havia um mercado, repleto de gente com os trajes regionais, uma paleta de cores e de expressões, um misto de sagrado e de profano, o catolicismo acompanhado dos cultos locais; assisti ao baptizado de dezenas de crianças e levei um raspanete do sacristão por causa das fotografias.
Continuei para o lago Atitlán onde fiquei extasiada com a paisagem - 3 vulcões envoltos em flocos de nuvens, que mais pareciam blocos de algodão de um branco imaculado, com uma luminosidade indiscritível, verdadeiramente indiscritível, porque o sol estava estranho com reflexos prateados no lago que por sua vez se reflectiam nas nuvens.
Aproveitei a proximidade para ir até Copan, nas Honduras, ver o que os Maias ali deixaram e que tem características diferentes de Tikal; enquanto Tikal se caracteriza por construções mais imponentes em termos arquitectónicos, Copan tem características mais artísticas para além de ter inúmeros testemunhos escritos que permitiram investigar muito a civilização Maia. Aliás a enorme escadaria com os degraus repletos de hieróglifos contribuiu muito para a sua classificação como património mundial pela UNESCO.
No dia seguinte fui a Quiriguá outro sítio com vestígios maias; aí só existem estelas, tudo no meio de uma imensa vegetação e com pássaros a cantar por todo o lado, e depois fui passear no Rio Dulce, até Livinsgton que já tem muitas características caribenhas principalmente em termos de população.

Seguiu-se o Panamá, em casa de um casal de pianistas que conheci em Macau, pois o Jaime Ingram, que na altura era também embaixador do Panamá em Madrid, integrou o júri do concurso Vianna da Motta.
Nos primeiros dias passeei pela cidade, super-moderna e bem arranjada, visitei o famoso canal, adorei o Museo del Canal.
Na última semana em que estive no Panamá fui ao arquipélago de San Blás (Kuna Yala) onde vivem os índios Kuna que se caracterizam por uma política de não abertura à civilização, mantendo-se muito arreigados às suas tradições e modo de vida comunitário.
Mal cheguei à ilha levantou-se um temporal tal que o meu quarto ficou sem parte do telhado... No entretanto, eu estava deitada em cima da cama tapada com mantas e plásticos.
Os Kuna são na sua maioria bastante desagradáveis o que provoca a animosidade de quase toda a gente a começar pelos panamenhos: o sistema obriga a que os turistas estejam sempre acompanhados por alguém da comunidade e que paguem um dólar por cada fotografia que queiram tirar, e só após obtida a concordância dos guias, ou então depois de comprarem molas - o trabalho artesanal mais característico da comunidade que consiste em panos de várias cores cozidos entre si e que são, em grande parte dos casos, muitíssimo trabalhosos. Cada mola pode chegar aos sessenta dólares.
Ao invés, os índios Emberá bastante mais primitivos e que vivem na província de Darien e verdadeiramente no meio do mato, são muito mais simpáticos; andei a fazer ecoturismo nessa zona, vi pássaros, capivaras e uma águia Harpia (o símbolo nacional do Panamá) com nove meses que tinha um bicho que a mãe já tinha caçado nessa manhã entre as patas; a aguiazinha estava no alto de uma árvore enorme, mas pude vê-la relativamente bem porque comprei um telescópio adaptável à máquina fotográfica e os guias também tinham um telescópio simples e binóculos; a mãe, por sua vez, devia estar a controlar-nos porque a ouvíamos com imensa nitidez mas infelizmente não conseguimos vê-la; e no dia anterior vi falcões a tentarem caçar um esquilo, o que para minha grande alegria não aconteceu enquanto por ali andei...
Quanto aos índios, ficámos um dia a dormir na tribo, que não tem nem electricidade, nem geradores, nem água canalizada (tomam banho no rio), deitam-se ao pôr-do-Sol e levantam-se quando este nasce, os homens andam de tanga e as mulheres nuas da cintura para cima e muitos andam pintados com motivos inspirados na fauna e na flora.
Por incrível que pareça nenhum dos seus mitos tem a ver com a astronomia - nada sabem sobre o Sol, as estrelas, as constelações... só sobre a natureza terrestre que os rodeia... Falam um dialecto que não tem forma escrita apesar de estarem a pensar em arranjar uma forma de escrita que lhes permita perpétuar as suas memórias e tradições na sua própria língua...
Porque foram umas férias inesquecíveis: Guida aqui fica o testemunho para que te inspires.
O resto do tempo foi passado em NY, entre sobrinhas, visitas a museus, compras e frio, muuuuiiiiito frio.
publicado por fpg às 14:42

Yubeng, Abril 2006
publicado por fpg às 13:15

Mais vale um pássaro na mão que dois a voar.

publicado por fpg às 13:14

Macau, Maio 2006



As nossas vidas são como o movimento do Sol. Na hora mais escura há a promessa da luz do dia.
Editorial do Times, 24/12/84

publicado por fpg às 13:08

Pensamentos contraditórios e dois ou três sopros pela vida
por Gonçalo Reis

Pier Paolo Pasolini, esse poeta e cineasta sublime, esse ícone da esquerda, esse herói anti-sistema, escreveu nos anos setenta uma série dramática de textos atacando frontalmente o aborto. Não era um conservador, não era da Igreja, não era um tradicionalista. Estava no campo oposto. Mas era um homem de cultura e que gostava exageradamente da vida, da vida toda, de todas as vidas, desde o princípio. Disse: "Estou porém traumatizado pela legalização do aborto, porque a considero, como muitos, uma legalização do homicídio. Nos sonhos e no comportamento quotidiano - coisa comum a todos os homens - eu vivo a minha vida pré-natal, a minha feliz imersão nas águas maternas: sei que já lá eu existia. Limito-me a dizer isto porque, a propósito do aborto, tenho coisas mais urgentes a dizer. Que a vida é sagrada é óbvio; é um princípio ainda mais forte do que qualquer princípio da democracia, e é inútil repeti-lo."

Algo de maravilhoso une os defensores do "sim" e do "não": vivem. Vivem porque os pais decidiram não abortar.

Alguns promotores do "não" escusavam de se basear em argumentos tecnocratas, tais como o envelhecimento da população e o custo dos abortos. É evidente que se deve fomentar a natalidade, mas aí está um outro debate. Que diabo, a defesa da vida, da vida individual e irrepetível, vale por si mesma. Não é conjuntural. Poderíamos atravessar um ambiente de forte crescimento populacional ou de superavit orçamental, seria indiferente. O combate pela vida não deveria assentar em razões de bem-estar da sociedade. Tal seria cair num insuportável relativismo. Trata-se antes de algo terrivelmente mais absoluto e delicado: proteger os que já vivem mas ainda não nasceram. Um a um.

"Uma vida não vale nada, mas nada vale uma vida", André Malraux.

A vitória do "sim" não resultaria no que alguns dos seus arautos esperam: no fim da questão. O aborto clandestino continuaria a ser uma realidade, pois muitas mães, sobretudo adolescentes, evitariam os estabelecimentos públicos e não teriam disponibilidade para os serviços privados. Os julgamentos em tribunal continuariam a ocorrer nas situações de aborto após as dez semanas. O "sim" não seria uma pedra sobre o assunto, nem uma salvação para os dramas (indiscutíveis) do aborto.

Há múltiplas maneiras de respeitar o ser humano, condenando e combatendo o aborto através de um enquadramento legal que exclua a prisão como pena última. Caminhos heterodoxos, porventura: mais compreensivos do que a situação actual; mais prudentes do que a legalização pura e dura. Estas hipóteses serão possíveis se o "não" ganhar. Aí, a partir da não-liberalização, a partir da valorização inequívoca da vida, poder-se-á pensar e construir soluções equilibradas que afastem o aborto sem justificação.

"Por opção da mulher", dita a pergunta a referendar. Podia ao invés trazer a palavra "mãe". É sempre uma mãe em potência a confrontar-se com a hipótese de aborto. Talvez valesse a pena lembrá-lo.

E o pai, ausente desta escolha, se ganhasse o "sim"? E se a mãe quiser abortar e o pai não? E vice-versa? O pai é tanto pai como a mãe é mãe. Que raio de conceito de família subjaz a esta transferência total de responsabilidade, a esta opção pelo unilateral? Que horror de mundo, a sós, sem ponderação partilhada, sem diálogo, pretende o "sim" oferecer?

Um Estado realizando e promovendo abortos ao mesmo tempo que não realiza, não promove, não apoia devidamente tratamentos de infertilidade para os casais que sonham em ter filhos e não conseguem? Seria essa a realidade do "sim". Triste. Injusta. Gritante.

Os valores da solidariedade, do respeito pela dignidade humana, da inclusão, da harmonização dos interesses, da oportunidade, da defesa do mais fraco (tão fraco que ainda não pode escolher, apenas ser escolhido) - são descartáveis, conforme a fase da vida? E se os esquecermos durante a vida na barriga da mãe, logo no princípio, quanto tempo tardará até que os esqueçamos no fim da vida? Seria imaginável "seleccionar" as vidas e as fases da vida a apoiar?

A modernidade estará sempre do lado da esperança, da vitalidade, do humanismo, da não desistência, da confiança num mundo melhor.

Outra vez Pasolini: "Não há nenhuma boa razão prática que justifique a supressão de um ser humano, mesmo que seja nos primeiros estádios da sua evolução. Eu sei que em nenhum outro fenómeno da existência há tão furiosa, tão total e essencial vontade de vida como no feto. A sua ânsia de realizar as suas potencialidades, percorrendo fulminantemente a história do género humano, tem algo de irresistível e por isso de absoluto e de jubiloso. Mesmo que depois nasça um imbecil".
publicado por fpg às 09:43

"Hipocrisia era manter dois tipos de seres humanos, os escravos e os não escravos. A mesma hipocrisia é, hoje em dia, manter dois tipos de seres humanos: os antes e os depois das dez semanas."
Luis Cunha
publicado por fpg às 09:41

07
Fev 07

Uma imagem vale mais que mil palavras.
publicado por fpg às 20:30

Pela dignidade das mulheres, voto Não!
João Titta Maurício *
Uma das falácias mais repetidas nesta campanha é que o Sim não obriga ninguém a abortar. De facto, tal como hoje, o aborto será sempre um exercício de um poder individual. Mas a formação das vontades individuais é estimulada ou condicionada pelo ambiente social envolvente. E se fosse aprovada esta legislação que, irrestritamente, admite o aborto a pedido não podem restar dúvidas da mensagem que se estaria a transmitir às mulheres e à comunidade: de que a Vida humana – no seu início assim como já o é no seu fim! – é susceptível de ser limitada quanto à sua legitimidade para exigir protecção. E o que nos é proposto votar é que o Estado se exima, se exclua da responsabilidade de proteger a Vida humana até às 10 semanas. Ou seja, o Estado propõe-se, através desta legislação, a afirmar que a protecção concedida pelo art. 24º da CRP (que exige a inviolabilidade da Vida humana) deve ser limitada apenas aos seres humanos com mais de 10 semanas de gestação. Ou seja, numa das matérias mais evidentemente insusceptíveis de limitação por via infra-constitucional, o Estado português procura fugir às suas responsabilidades. E quais são as respostas que devemos exigir do Estado?
No decurso deste debate sobre o aborto, muitas coisas aconteceram. Algumas feias. Muito feias, mesmo. Mas outras foram maravilhosas. Foi desagradável, foi desnecessário o clima de chantagem emocional que temos assistido. Não consigo saber se ele é causa ou consequência da crispação que tem afectado todos os debates, excessivamente emocionais e caracterizados por uma surdez absurda aos argumentos alheios.
Mas foi magnífico, foi sublime, foi inspirador as descobertas que fiz e que quero partilhar. Participei em visitas a algumas instituições na área de Lisboa que, confesso, não conhecia. Foi das experiências que me fizeram sentir, a um tempo, vergonha, a outro, Esperança.
Vergonha, por não as conhecer. Vergonha, por ser a primeira vez que as visitava. Vergonha, por nunca as ter apoiado. Vergonha, principalmente, pela cobardia de nunca ter participado em coisa semelhante e de pouco mais ter feito que levar uma palavra de apreço às mulheres e aos homens que fazem do voluntariado um serviço à causa que proporciona às mulheres grávidas uma verdadeira alternativa ao desespero.
Mas, ao mesmo tempo, senti orgulho. Não por mim ou pelo que eu tivesse feito. Mas por redescobrir o orgulho de pertencer à mesma espécie humana daqueles homens e daquelas mulheres, que todos os dias, voluntária e graciosamente, com imenso sacrifício pessoal e familiar, dão provas de uma enorme solidariedade, de uma verdadeira Caridade aos outros, aos que mais têm falta e no momento que mais precisam.
Estou a falar, em concreto, da “Ajuda de Berço” e da “Ajuda de Mãe”, duas instituições que visitei e que, hoje sei, não são únicas. Porque há outras. Que fazem trabalho semelhante... e que, do Estado, recebem as migalhas do costume. Quem as visita compreende que é ali que está a verdadeira e a boa resposta que, no seu desespero, as mulheres grávidas procuram e anseiam. Não lhes oferecem o aborto como panaceia para os seus males... mas propõem-lhes caminhar com elas para os ultrapassarem.
Porque não é através da berraria mediatizada entre o SIM e o NÃO que se encontram as soluções. Porque não há um absoluto direito à Vida e nem pode haver uma irrestrita, ilimitada e absoluta tutela do poder de abortar. A solução só pode encontrada em propostas como aquelas. Onde se dá uma oportunidade à mulher, onde ela é ajudada a afastar a causa do desespero que a força a fazer aquilo que ninguém acredita ser a sua vontade. Nenhuma mulher sã quer abortar. Mas as condições da sua existência podem obrigá-la a inclinar-se a fazê-lo. Ali ela é acolhida. Ali é-lhe proporcionado apoio que lhe permita uma escolha que não a ditada pelo desespero. E o relato dos voluntários que dão vida àquelas instituições é fantástico: mesmo quando o desespero parece o único caminho, a esmagadora maioria das mulheres que os contactam acabam por ter os filhos, encontrar um sentido e uma esperança e hoje vivem com os seus filhos e acreditam que o pior já passou.
Foi aí que comecei a perceber e a formular aquela que, para mim, é a razão do meu NÃO em 11 de Fevereiro: se ninguém é a favor do aborto, se todos o reconhecem como um mal e uma experiência profundamente traumática, se todos querem combater o aborto clandestino, então que nos concentremos no problema verdadeiro. Se o problema é o aborto, se o trauma é causado pelo aborto, se muitas das causas da clandestinidade subsistem mesmo se o aborto fosse legalizado, então de que serve trocar o aborto clandestino pelo aborto asseadinho? Não se continuava a matar um filho por nascer? Não continuava o sofrimento e a dor pela perda que mulher nenhuma jamais esquece. E não continuavam bem presentes as condições terríveis que foram o motivo que a forçou ao aborto?
Ao invés, se a comunidade concentrar os seus esforços na ajuda às mulheres grávidas, no apoio que lhes permita ultrapassar a condição de sofrimento sócio-económico ou pessoal que é causa da angústia desesperante que aponta o aborto como solução. Então talvez não só diminuíssem os abortos clandestinos, como teríamos uma sociedade mais humana. E, isso, desde 1998, resultou em cerca de 80.000 mulheres que foram acompanhadas e mais de 25.000 crianças que nasceram... e tudo isto com um apoio do Estado de apenas cerca de 1/3 do custo total. Já agora, isso quer dizer, em números absolutos, que cada uma das instituições recebe cerca de €100.000/ano… bem menos do que os €10.000.000/ano anunciados como disponíveis para pagar não o custo de um terço do aborto, mas o custo total. Isto para não falar da completa ausência de apoio aos casais com dificuldades de fertilidade. Tem sido esta a orientação. Se calhar é natural que continue com o apoio ao aborto.
Não faço juízos morais sobre os propósitos de ambos os lados. Apenas constato soluções diferentes, com motivações diferentes: de um lado, há uma proposta de um SIM pela higiene como resposta ao desespero; do outro, um NÃO que proporciona dignidade e exige um apoio real que possa gerar Esperança. Até porque temos de acreditar que há sempre quem não desista e há sempre quem quer dizer NÃO!
* titamau@netcabo.pt
Professor na Universidade Lusófona
06-02-2007 10:33:09
publicado por fpg às 14:56

O último gatinho morreu esta noite.
A mãe está com um vírus.
Espero que consigamos salvá-la.
publicado por fpg às 13:26

Yubeng, Abril 2006

A compreensão, e a acção dela resultante e por ela orientada, é a única arma contra o bombardeamento do mundo, o único remédio, o único instrumento com que podem ser formadas, ou quase formadas, a liberdade, a saúde e a alegria no indivíduo e na espécie humana.
James Agee
publicado por fpg às 12:45

Laos, Dezembro 2003
 
publicado por fpg às 12:37

Cada tiro cada melro, cada cavadela sua minhoca.

publicado por fpg às 12:36

Zhongdien, Abril 2006

A nossa imaginação não tem, de facto, limites.
Quando uma mente está em pleno processo de processação de dados das muitas associações de ideias que se fazem quotidianamente, o resultado pode ser um prato especial: Brotada!
Para além de especial é, de certeza, original. Quem já comeu Brotada?
Quando a meio da madrugada de hoje me perguntaram se queria comer esse petisco, fiquei intrigada. Nunca tinha ouvido falar. Mas não o comerei nunca. Sim, porque Brotada são aftas de vaca fritas envoltas em queijo.
Pode eventualmente haver quem goste...
Se há quem coma túbaros, rins, miolos, tripas, provavelmente também poderá haver quem goste de aftas de vaca fritas envoltas em queijo. Pelo menos a concepção tem algum requinte! Na onda da nouvelle cuisine!
Mas a criatividade da concepção assenta em algo muito mais profundo: Aborta - imperativo do verbo Abortar; entre as duas palavras só sobra a letra d!
No fundo é isso que se está a dizer! É isso que estão a querer! Aborta à vontade, mulher!
E é cada vez maior a força com que visceralmente sinto que NÃO!
Por isso, quando me propuseram comer Brotada, acordei e não voltei a adormecer.
E fiquei a pensar...
Tenho visto as notícias e a postura dos apoiantes de cada um dos lados. E o alarmismo com que os do Sim começaram a semana... Preparem-se para os papões do Não, porque eles estão desesperados e vão fazer coisas terríveis nos próximos dias...
Dei comigo a analisar a coerência das posições.
Os do Sim são, na sua maioria, os que supostamente mais se insurgem contra a pena de morte, contra a tortura, contra o desrespeito pelos direitos humanos, contra as touradas, contra a caça (aos animais e às bruxas que fazem o aborto), os que se consideram mais iluminados (sim, porque os do Não são uns tacanhos ignorantes e chantagistas, que devem ser caricaturados, mesmo em programas pagos com o dinheiro de todos os contribuintes incluídos os que votarão Não!...), mais esclarecidos, mais inteligentes, mais p'rá frentex, mais open mind!
Os que, em contacto com outros hábitos e costumes, talvez com mais facilidade provem comidas a que não estamos habituados...
Aqui por estas bandas do Oriente teriam muito por onde se espraiar: gafanhotos, escorpiões e baratas fritas, na Tailândia; cão, gato, rato, sangue de tartaruga acabada de decapitar na mesa, miolos de macaco vivo, na China; bílis, testículos e patas de urso, no Cambodja; canja de cão feita a fogo lento, na Coreia...
Como consideram que os fetos não passam disso mesmo, dei comigo a pensar que talvez não lhes repugnasse comer os "petiscos" feitos em Taiwan com bebés abortados (que muitos de nós pudémos ver nas imagens que circularam na internet).
E pensei-o sem a ironia com que escrevi este texto, sem exageros.
Triste. Porque acredito que alguns seriam capazes de o fazer.
Quem me dera que este mundo fechasse para balanço e abrisse de novo sem abortos, sem homens e mulheres estéreis a sofrer porque não podem ter filhos, sem violações sexuais, físicas, psicológicas, sem abusos de poder, sem a prepotência destrutiva que tantos homens impõem aos seus semalhantes e à Natureza...
Seria um paraíso mas, como não sou uma mulher de fé, não acredito que ele exista.
Pena que os sonhos de Thomas More e de Tommaso Campanella não se tenham realizado... que não acabem as razões para que a "Utopia" continue a constar nos dicionários.
Todos precisávamos d' "A Cidade do Sol".
NÃO! d' "O Triunfo dos Porcos".
Já agora, a fotografia foi escolhida porque toda a gente acha que as galinhas são estúpidas; mas até elas protegem os seus pintaínhos.
publicado por fpg às 10:08

Brasil, Brasil...
A festa é portuguesa!
publicado por fpg às 09:57

06
Fev 07
Dali, Março 2006

 
publicado por fpg às 17:47

Zhongdien, Abril 2006



Se foste tão longe que não consegues dar mais um passo, então fizeste metade do caminho que és capaz de andar.
Provérbio da Gronelândia


Tibet, Outubro 2004

Parir é dor, criar é amor.
publicado por fpg às 17:37

Fevereiro 2007
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