DO SENTIDO DADO AOS PASSOS, AOS PASSOS QUE NOS CONSENTIMOS DAR... JAMAIS OS MESMOS DEPOIS DE TRILHAR O DESERTO BRANCO

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Fev 07
Lijiang, Abril 2006



 

Menos fumadores, mais pessoas a nunca terem experimentado e mais gente a deixar o tabaco. Em três anos, foi esta a evolução ocorrida na generalidade dos países da União Europeia, incluindo Portugal. Os dados foram divulgados ontem e resultam de um inquérito realizado entre Setembro e Dezembro de 2005 no espaço comunitário.
Três anos depois do último eurobarómetro sobre a atitude dos europeus em relação ao tabaco, em 2002, os números revelam que a percentagem de fumadores na Europa a 15 caiu de forma significativa: passou de 33 por cento para 26 por cento. O valor registado em Portugal é semelhante (27 por cento), ainda que corresponda a uma diminuição menos significativa: dois pontos percentuais entre 2005 e 2002.
A nível europeu, registou-se uma quebra superior a 20 por cento no universo dos fumadores. Reino Unido, França e Espanha são os países onde o consumo mais caiu.
Nestas estatísticas, conhecidas no dia em que a Comissão lançou o debate sobre o combate ao consumo de tabaco, Portugal destaca-se num outro indicador. Na lista dos 27 Estados-membros da UE e ainda Croácia e Turquia, os países onde foram feitos os inquéritos, os portugueses são os que mais dizem nunca ter fumado: 58 por cento. Em 2002 eram 56 por cento.
Esta evolução registou-se, aliás, na generalidade dos países europeus. Ainda que nalguns Estados, como por exemplo na Dinamarca, os que responderam nunca ter consumido tabaco continuem em minoria (apenas um em cada três).
O inquérito conduzido sob a alçada da Direcção-Geral de Saúde e Defesa do Consumidor revela ainda que, em relação 2002, o número de ex-fumadores aumentou na maioria dos países (em média três pontos percentuais). Mas Portugal é um dos que contrariam essa evolução.
Se, em 2002, 14 por cento afirmaram tê-lo feito, três anos depois a percentagem desceu para os 13 por cento. Já na Holanda ou na Dinamarca, o valor aumentou para os 30 e os 27 por cento, respectivamente. Foi sobretudo entre as mulheres e os jovens que a redução foi globalmente mais significativa.

Dezoito cigarros por dia
A Comissão tentou ainda perceber com que frequência e intensidade os europeus fumavam. E concluiu que os cidadãos da UE são sobretudo fumadores regulares e que, em média, consumem 14,9 cigarros por dia (dados relativos à UE a 25, antes do alargamento).
Os portugueses parecem ser mais viciados - fumam em média 18 cigarros por dia -, número que se agravou ligeiramente em relação a 2002. Mas ninguém bate os gregos, que consomem em média mais de um maço de tabaco por dia.
Sobre os locais onde é habitual fumar, o inquérito revela que quatro em cada cinco dos inquiridos fazem-no em casa e pouco mais de metade (54 por cento na UE) no carro. O comportamento do fumador português afasta-se aqui um pouco da média da UE e são bastante menos os que acendem um cigarro em casa e muito mais os que o fazem no carro.
Mas o comportamento dos europeus muda, por exemplo, se ao seu lado tiverem um não fumador, revelando alguma consideração por quem não tem o vício.
Ainda assim, o inquérito também mostra que a maioria dos cidadãos europeus declara que nunca ou raramente se sente incomodado pelo fumo dos outros no seu dia-a-dia. É sobretudo na faixa etária entre os 15 e os 24 anos que a aversão ao tabaco é mais pronunciada.
Somadas as respostas "nunca" ou só "às vezes" pede a um fumador para não fumar na sua presença, constata-se que em todos os países existe uma "clara maioria de pessoas que não reage, ou só em certa medida, demonstrando alguma tolerância em relação aos fumadores".
Os aspectos desagradáveis associados ao tabaco, como o cheiro que fica nas roupas e no cabelo, são os mais referidos por quem se sente incomodado. Mais até do que as preocupações relacionadas com a saúde.
Isabel Leiria
POL nº 6153 Quarta, 31 de Janeiro de 2007

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