DO SENTIDO DADO AOS PASSOS, AOS PASSOS QUE NOS CONSENTIMOS DAR... JAMAIS OS MESMOS DEPOIS DE TRILHAR O DESERTO BRANCO

07
Nov 08

Tinha um desejo: morrer de barriga cheia

Um dia, a seguir ao almoço, sentou-se numa cadeira e o seu desejo realizou-se!

Foi a sorte dela. Por todas as razões. Morreu como sonhou e não viveu o tempo suficiente para ver a desgraça abater-se sobre a sua família.

Lembro-me da Lena sempre a rir, uma cara sardenta emoldurada por um cabelo ruivo.

Lembro-me da festa de anos a que fomos, no restaurante do pai dela em frente ao rio.

De como achei a família toda tão simpática, tão bem disposta, o pai em particular, tão generoso.

Nunca mais esqueci a festa de anos da Lena.

Como nunca mais esqueci o dia em que chegou à escola, alterada, zangada com o pai porque andava a tratar mal a mãe e a irmã mais velha...

Sim, embebedava-se e, para além da mulher, obrigava a filha mais velha a ir com ele para a cama, sem a menor preocupação de o esconder do resto da família.

Na escola todos ficámos chocados com o que se estava a passar e fomos sofrendo quotidianamente o calvário da irmã da Lena que, se não se sujeitasse às taras do pai, corria o risco de ser baleada.

Até ao dia em que as boas notícias, se é que boas notícias podem acontecer no meio duma tristeza destas, chegaram:

O irmão, farto de assistir impassível ao comportamento descontrolado do pai, resolvera esfaqueá-lo; fora a única forma de o dominar.

Assim, pôs termo ao pesadelo da mãe e da irmã mais velha que eram violadas em simultâneo.

Estávamos perto do final do ano lectivo quando este caso se deu.

Nuna mais vi a Lena, nem soube nada da família dela.

Eu tinha 11. Ela 12.

A irmã mais velha tinha 15 anos.

publicado por fpg às 22:57

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