DO SENTIDO DADO AOS PASSOS, AOS PASSOS QUE NOS CONSENTIMOS DAR... JAMAIS OS MESMOS DEPOIS DE TRILHAR O DESERTO BRANCO

07
Jan 07
Coloane, 2001



Idealismo é a capacidade de ver as pessoas como poderiam ser se elas não fossem como são.
Kurt Goetz

publicado por fpg às 12:16

Hoje, quando me dirigia para o sítio onde estava a cadela atropelada, passei por uma velhinha chinesa, que já deve andar perto dos 100 anos, vestida com um enorme anorak encarnado. Reparei nela. Porquê não sei.
No regresso, quando comecei a descer a estrada para a vila de Coloane, fiquei incrédula: a velhinha, qual ponto de interrogação vermelho, caminhava empenada, estrada acima, com carros a passarem de um lado e do outro. Sim! Já devia ter feito quase 100 metros assim, a andar no meio da estrada acompanhando os traços descontínuos brancos! Parecia o soldado alemão na "Grande Paródia", um dos vários imperdíveis filmes do duo Louis de Funés/Bourvil...
Como é que é possível que ninguém tenha parado para a ajudar? Nesta terra onde, supostamente, se tem um grande respeito pelos mais velhos, onde tanto se fala do culto dos antepassados?
OK, a velhinha ainda não é antepassada de quem quer que seja, mas tinha um ar de perdida que não enganava ninguém. Com um copo de plástico meio cheio de água na mão... Numa estrada onde o trânsito de camiões enormes está infernal por causa das obras dos casinos...
Parei o carro imediatamente (por sorte não vinha nenhum logo atrás) e lá a levei para a berma.
Estava bem disposta e comunicativa e cuspia que se fartava.
Tinha uma fita pendurada ao pescoço onde, protegido com fita-cola, estava um papel cheio de caracteres mas sem nenhum número de telefone. Pedi ajuda a umas pessoas que por ali andavam e ninguém se mexeu.
Resolvi metê-la no carro, onde o Gaspar fazia de co-piloto esfregando-se entusiasticamente no assento e a Salsa e a Trufa estavam ainda meio-anestesiadas porque tinham sido esterilizadas e estavam de regresso a casa com o pessoal da Anima (que me telefonou por causa da cadela atropelada).
Lá a sentei no banco da frente (o Gaspar passou para o de trás) e fui pedir ajuda à ARTM. Tranquei as portas para que ela não saísse e lá fui buscar alguém para nos ajudar.
Quando chegámos ao carro, encontrámos a velhinha na maior, com um pé em cima do tablier, toda refastelada e nada incomodada com os cães, que também não a estavam a chatear. Como ninguém a percebeu, acabei a levá-la para a polícia.
Quando lá cheguei ninguém me percebia...
Entre português, chinês e inglês tentei explicar que tinha uma senhora muito velhinha no carro que estava perdida.
Acabaram por perceber porque os levei até ao carro.
E lá a deixei, amparada pelos dois polícias a subir as escadas para a esquadra...
Tenho de tentar saber o que lhe aconteceu...
publicado por fpg às 11:33

Porque será que as pessoas têm tanta dificuldade em falar de eutanasiar, ou de abater um animal quando tal gesto significa, no fundo, a última prova de afecto, de misericórdia, que se lhe pode dar?
E então usam ridículas expressões como "pôr a dormir", ou mandar para o céu...
Por causa disso, quando hoje cheguei ao sítio onde estava uma cadela atropelada (como me disseram que um veterinário lhe dera uma injecção para a pôr a dormir, pensei que de facto a injecção a pusera a dormir para poder ser transportada para a clínica e não sofrer durante o processo), a pobre bichinha já tinha sido abatida. Felizmente, porque estava num estado lastimoso.
O que é que lá fui fazer?
Levar um tabuleiro (que funcionaria como maca) para que pudesse ser levantada e tansportada com o mínimo de consequências possível.
publicado por fpg às 11:29

Por ontem:
Vasco G., Inês T.
Hoje:
Leonor S.
publicado por fpg às 11:27

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