DO SENTIDO DADO AOS PASSOS, AOS PASSOS QUE NOS CONSENTIMOS DAR... JAMAIS OS MESMOS DEPOIS DE TRILHAR O DESERTO BRANCO

10
Nov 08

Nem tem má figura.

É alto, não é feio, dança bem, é simpático, é bem educado... É divertido!

Mas sempre o achei um bocadinho panhonha!

Rien à faire (eu e o meu mau feitio)...

E quando casou, e mesmo quando nos apresentou oficialmente a namorada, a frase que se impôs foi "deus os fez, deus os juntou"!

Ao fim de quase 20 anos, entre amigos, ainda não conseguimos perceber se ela é parva ou se faz de parva, se é sonsa ou se faz se sonsa. É intrigante e aflitivo. Abaixo fica um "piqueno" exemplo:

Vai ter com a Maria e, com o seu arzinho freirático, diz-lhe:

Noca: Posso-te fazer uma pergunta?

Maria: Podes.

Noca: O teu irmão e a I. vivem juntos, não vivem?

Maria: Vivem.

Noca: Mas não são casados, pois não?

Maria: Não, é como o teu irmão e a L. (tava mesmo a pedi-las, não tava?)

A Noca meteu a viola no saco e foi pastar para outro lado...

 

Ele, por seu turno saiu melhor c'á encomenda...

Eu já sei; a questão é de definição e de panhonha há que passar para sonso!

De alguns tempos para cá começou a nutrir uma paixão platónica por uma amiga comum; acontece que ela também é casada e não está nem aí pr'a ele.

Nos últimos tempos aparece mais elegante, começa a fazer exercício físico...

E eis que, de repente, o criaturo (com quase 50 anos) resolve fazer dela confidente, estilo "toda a vida fui fiel e à Noca só agora nestas últimas viagens em serviço, tive as minhas primeiras experiências extra-conjugais... mas estou feliz, está tudo bem entre nós, é com ela que quero ficar, nunca desfarei o nosso casamento..."

E, na verdade, quem olhar para o casal, acha-o muito romântico, a passear-se de mãos dadas pelas ruas, a ficarem sozinhos em esplanadas ao luar... é, como há 20 anos atrás "deus os fez, deus os juntou"!

Mal imagina a cônjuge que aquele cretino anda a mandar SMS's para a nossa amiga com românticas frases em inglês estilo "I Love You", "I'm Crazy About You", "I'm dreaming with You" e mais uma série de alarvidade semelhantes em português, fora telefonemas e indirectas sempre que a ocasião propicia, fora caixas de chocolates, bombons e outras delicodoçuras...

Até agora a visada tem fingido que não percebe, ou que acha que é brincadeira; o marido por seu turno já percebeu que há um brilhozinho nos olhos do outro, o que tem como vantagem dar-lhe mais atenção a ela...

Moral da história: andam todos mais felizes!


... este é o tal que os ratos matará."

Nunca gostei desta parte da história d' O Flautista de Hamelin, um conto dos Irmãos Grimm, em que ele afogava os ratos todos.

Aliás, achava-a pior do que o final em que o Gaiteiro levava os miúdos todos da cidade, pois os putos iam com ele todos contentes a cantar e a dançar... O chato é que depois parece que os fechava numa caverna...

Vem isto a propósito da minha tentativa de salvar um rato de rua a semana passada.

À saída de um restaurante a minha irmã que tem pânico de baratas começou a apontar para uma coisa no chão da rua e a Diana começou a ficar toda encolhida; em vez duma barata era um ratinho mais pequeno que o meu dedo mindinho.

O desgraçado todo assustado foi-se esconder entre dois vasos; se ali ficasse acabava esmigalhado debaixo dum pé, duma vassoura, da roda dum carro... enfim, não duraria nem mais 5 minutos.

Comecei a tentar agarrá-lo mas ele escapulia-se, sem nunca ir para muito longe; a dona do restaurante veio à porta e eu dei-lhe logo a entender que não a deixava matá-lo. As minhas acompanhantes já se tinham esfumado, a segunda à beira do desmaio.

A única forma de o apanhar foi atirar-lhe com a minha camilosa para cima.

Quando comecei a fazer-lhe festinhas ainda tentou morder-me, mas depois acalmou.

Não o podia mesmo deixar ali porque senão acabava como o irmão: um energúmeno que ia à minha frente  viu-o já meio ferido e a estrebuchar e deu-lhe mais dois pontapés de forma a que fosse parar ao meio da rua...

Não tivesse garantida uma carga de trabalhos, também eu teria dado àquele troglodita um murro no cachaço, que o anormal teria ficado de ventas no chão com trinca-palha e picoia partidos a estrebuchar ao lado do pobre do ratinho... Valentões de trazer por casa; só fazem mal a quem nada pode contra eles.

Dado que tinha consulta de Pneumologia fui andando para o hospital, enquanto pensava qual o melhor sítio para libertar o projecto de rato que tinha aninhado no colo.

Entretanto a Diana telefonou-me e veio ter comigo, mas mantendo uma distância de segurança como se estivéssemos na Idade Média e eu tivesse desembarcado duma caravela cheia de pestíferos...

Porque o rato tinha um focinho bicudo, porque os olhos eram muitos pretos e pequeninos, porque o rabo era muito comprido e patatipatata!

Resolvi soltá-lo na Calçada do Gaio, numa curva onde estaria a salvo no meio de vegetação e onde encontraria algo para comer.

Agora vem a parte mais inacreditável e mais difícil de descrever: quando o pus na vedação de arame e o empurrei para que ele ficasse do outro lado, o Mickey (entretanto baptizado pela Diana) deu meia volta e saltou para a minha mão, onde ficou todo contente a lavar-se!

Eu nem estava a acreditar no que tinha à frente dos olhos...

Um rato de rua, apanhado há cerca de 15 minutos antes e que estava a tentar libertar, já não queria sair da minha mão! Tornei a pô-lo no chão e a empurrá-lo e ele tornou a dar meia-volta e a vir na minha direcção...

Tornei a virá-lo no sentido inverso e de novo se virou para mim...

Comecei a sentir que tinha tenazes a apertarem-me o coração e a garganta, que não, que não estava a viver aquele momento, mas estava e a Diana estava ali a testemunhar aquilo tudo...

Tive de gritar e de bater palmas várias vezes para o assustar, de modo a que desistisse de vir atrás de mim.

Só não fiquei com ele porque tenho cães em casa.

Não, estou no meu juízo perfeito!

Qual a diferença entre um rato cinzento, branco, preto, cor-de-rosa, encontrado na rua ou vendido numa loja?

Desparasitados e de banho tomado, domesticados não são todos ratos?

Eu prefiros ratos a gatos!

Os ratos transmitem doenças?

OK.

Deixem lá de ser mais papistas que o papa.

E quando nós vamos a festas, ou saímos à noite, e cumprimentamos (já só falo de beijo na cara), imaginemos cerca de 60 a 70 pessoas que por sua vez já cumprimentaram..., que por sua vez cumprimentaram...

Multipliquem todos esses beijos por micróbios que ficam nas caras em que os nossos lábios tocam... porque as pessoas jantaram e a maior parte não lavou os dentes, logo, a comida começou a decompor-se nas bocas, sem contar os que têm cáries não tratadas, já para não falar quando se chega às 3 ou 4 da manhã onde é algumas bocas não terão andado...

Lamento a crueza do exemplo, mas o meu lindo Mickey mal se apanhou com espaço na minha mão, começou imediatamente a lavar-se.

Há p'raí mutita gente que vive à "porca janota": não toma banho, mas põe perfume.

Os Homens têm muito a aprender com os animais...


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